Posts Marcados Com: família

ENFRENTANDO NOVOS HÁBITOS

Há algum tempo adquirimos o hábito de assistir séries de T.V e em algumas delas temos nos deparado com cenas do cotidiano  em países mais desenvolvidos que o nosso e a não ser em famílias muito abastadas, os empregados domésticos são raros.Extremamente qualificados,muitas vezes possuindo até nível superior,falando mais de um idioma, responsáveis e orgulhosos de sua profissão,bem pagos.No Brasil esses empregados estão também ficando raros,de uma maneira geral mal preparados, pouco responsáveis, nível educacional precário,envergonhados de sua profissão, na sua grande maioriaIMG_0414 desmotivados pelo pouco reconhecimento.Sempre os valorizei enormemente porque, para uma família moderna em que o casal trabalha(hoje as mulheres tem um peso enorme no orçamento doméstico) termos uma boa empregada é fundamental para o bom andamento da casa,dos filhos,da vida,mas estamos encontrando enormes dificuldades em consegui-las.Considero que com o nível educacional encontrado seria interessante que houvesse cursos preparatórios para a função, especialmente orientando para uma relação de direitos mas também de deveres.Reconheço que nos moldes atuais da sociedade brasileira,é necessário ensinar noções básicas de higiene,conhecimento de culinária, organização e até logística.Ao adquirirem esses quesitos o orgulho da profissão virá e com isso melhor valorização salarial também.Estamos próximos de novas leis para a categoria mas elas virão sem que dos empregados seja exigido nada ,só de quem emprega e sempre nós evoluímos pelo caminho mais difícil.Há uma enorme desconfiança de ambas as partes e isso gera, até se estabelecerem as relações com a família muito desconforto.Somos um casal,um apartamento organizado,em bairro com infraestrutura ótima,o salário é bem substancial,oferecemos plano de saúde, todos os direitos respeitados, acomodações confortáveis ,claras e bonitas,T.V.com todos os canais da Net e mesmo assim o jogo está duro. Detalhe ,somos de convivência amigável e tenho muita paciência em ensinar

BALEIA 2 059especialmente a cozinhar. Fazer o que? Abandonar as roupas de linho apesar do verão quentíssimo, não trocar roupa de cama duas vezes por semana, não usar guardanapos de pano só de papel ou ficar cliente diário da lavanderia de minha amiga Margarida.Cozinhar as maravilhosas iguarias que adquirimos nos mercados e feiras da cidade mas ter uma máquina de lavar louça e um triturador na pia da cozinha é fundamental. Bem as diaristas são sempre uma opção, mas elas precisam ser honestas, pois indo e vindo…

Acho que temos muitas frescuras para abrir mão,por isso sugiro  para todos hábitos mais simples.

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LEMBRANÇAS DE UM TEMPO MUITO BOM.

Durante a correria de Natal estive ausente,envolvida por uma série de coisas, algumas prazeirosas outras nem tanto mas que, como não dá para passar batido, tive que ficar um pouco distante de vocês. Hoje em bate-papo com uma prima muito querida, relembramos  nossa infância e ( as Festas de fim de ano fazem essas coisas) tantas lembranças maravilhosas nos levaram a 250px-Pompadour6um passado de felicidade e chegamos a algumas conclusões, como por exemplo, a magia que uma casa de uma avó tem.A casa de minha avó era um casarão enorme,na praça da igreja na minha cidade natal.Essa casa de muitos quartos e salas ,abrigou uma família gigantesca de 13 filhos,seus companheiros e 36 netos.Havia na entrada ao subirmos a escadaria, uma sala,muito linda, que só era3401728 aberta para receber visitas, com objetos e móveis preciosos mas a minha lembrança mais marcante eram os camafeus com cenas de nobreza campestre, pintados a mão no teto, no lugar das atuais sancas de gesso que dão acabamento às junções do teto com a parede. Cada camafeu era uma cena colorida,diferente umas das outras,um trabalho artístico verdadeiramente primoroso. Seguíamos por um corredor, ladeado de quartos e chegávamos a uma enorme sala de jantar cuja maior atração era uma mesa  para 30 pessoas,permanentemente ocupada em todos os seus lugares,pois havia o hábito das refeições serem feitas em conjunto por todos que trabalhavam na cidade e pelas crianças que estudavam em colégios próximos.  Nos reuníamos no almoço e no lanche da tarde quando vinham pães quentinhos da padaria e a manteiga era passada neles e derretia aos nossos olhos.Havia um lindo relógio de carrilhão,que marcava as horas, ritmadas como música. Lá um gramofone tocava músicas suaves, uma especialmente em minha memória,reproduzia sons como de gramofhone-decorativo-quadrado-replica-nova_MLB-O-220604563_9919pássaros.Mágico!!!Ao caminharmos para o fundo da sala,chegávamos a um pequeno hall onde havia as geladeiras. Eram Westhinghouse  com um motor em cima como se fosse uma grande bola.Atravessando a cozinha ,de onde saiam maravilhas,de fogões à lenha encontrávamos a despensa.Era uma loucura! Parecia uma loja onde se encontrava de tudo naquelas prateleiras. Grandes vidros com manteiga imersa em água salgada para mante-la fresca, vidros de azeitona, também em água salgada, de todos os tipos que eram consumidas avidamente por essa prima querida, resteas de cebola e alho, sacos de estopa cheios de arroz, feijão,farinha,batata,trigo, peças inteiras de bacalhau ,carne seca,caixas de maçãs e peras e os cepos de madeira com formas de queijos, suíços, do reino que faziam as delícias de meu irmão e de um primo pois eles os comiam  sem deixar rastros, uma vez que esses queijos tinham a casca dura e os meninos levantavam a peça e comiam por baixo, deixando-os vazios, o que provocava reações iradas de nossa avó uma vez que essas iguarias eram importadas e (nessa época, por volta dos anos 40/50 0 Brasil não produzia muita coisa)  levavam algum tempo para chegar de navio ao porto que se avistava do terraço desse casarão.Saudades de um tempo muito bom,de pessoas amadas que já se foram. Minha prima e eu chegamos facilmente a conclusão que as festas de fim de ano dão muito trabalho mas são importantes para incutirmos em nossos descendentes lembranças e solidificar raízes, que nos fortalecem para as lutas  da vida adulta.

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ETIQUETA NO MUNDO MODERNO.

Lendo a Veja São Paulo  dessa semana sou informada à respeito do novo livro de Glória Kalil “Viajante Chic”.Interessante esse nicho de literatura em que os escritores abordam comportamentos ideais em situações possíveis em nossas vidas.Acho antes de qualquer coisa ,a Glória Kalil ótima.Mulher educada, gentil e nada esnobe,com absoluta competência para falar sobre etiqueta,  uma vez que vem de família tradicional de São Paulo. Nos dias de hoje em que esse tipo de educação é quase zero, considero importante determinadas dicas,uma vez que a grande maioria da população, ignora regras básicas de convívio.

Quando menina meu pai, homem elegante, sofisticado,insistia e cobrava a leitura de um livro sobre etiqueta de uma autora da qual nunca mais ouvi falar,Carmen D’Avila.Era determinado por ele,a leitura de um trecho por dia,(eu tinha mais ou menos dez anos de idade)e à noite, não havia televisão, conversávamos sobre o que eu havia lido,compreendido,qual era minha opinião,ele exemplificava diversas situações onde se aplicava o assunto e assim foi formada a minha educação social que me preparou para o convívio com as pessoas que me rodeiam.Respeito, gentileza,bondade, sempre tendo em mente que o meu direito termina onde o do meu semelhante começa.Além desses  ensinamentos básicos aprendi regras sociais que nos identificam em qualquer lugar que frequentemos aqui ou no mundo,porque educação e fundamental. Lastimo enormemente que a educação de nosso povo seja tão ruim ,que o convívio seja muitas vezes tão difícil ,que haja tanta agressividade, tanta ignorância, a ponto de Glória Kalil precisar ensinar o básico :” Avião não é dormitório.Homens não devem voar de bermuda ou regata. Não é bacana ficar roçando,pernas e braços peludos nos outros.” Eu acrescentaria dificuldades no nosso dia a dia,que nos aborrecem ,como: nos elevadores,pessoas que entram e saem como verdadeiras boiadas,a violência no transito,nas filas, no teatro,nos cinemas, o uso dos celulares,o desrespeito aos mais velhos em todos os lugares,vagas de estacionamento, desrespeito aos professores que são a base da educação dos nossos filhos netos,continuando um trabalho que se inicia em nossos lares,enfim uma lista interminável. Educar exige sacrifícios e interesse  de quem educa,pais, avós ou professores mas, esse sacrifício precisa ser feito. O exemplo vem de cima e só assim teremos uma sociedade, melhor, mais humana.

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Uma Belga na cozinha portuguesa

Sobre a  Família Vervloet   ( http://www.familiavervloet.com.br) foi feito um estudo profundo sobre as  suas origens. Vieram da Bégica por volta de 1850 com o objetivo de viverem no Rio De Janeiro onde o patriarca pretendia servir na côrte de Dom Pedro II. Essa  pesquisa foi feita por Ivana Vervloet di Francesco num trabalho primoroso que nos orgulha a todos que de uma forma ou outra estamos ligados a eles. Casei-me com um descendente de uma das netas do patriarca Jean Joseph Vervloet e sua mulher Anne Marie Isterdael. A avó de meu marido chamava-se Eugenia. Era descrita como uma mulher de temperamento difícil, um pouco irrascível mas que seguramente era uma visão de uma parte da família. Casou-se com um portugues da região de Amoras e foi então iniciada nas maravilhas da cozinha portuguesa. Pouco contato tive com ela pois, logo após nos casarmos, ela veio a falecer, mas deixou aos seus descendentes receitas memoráveis, dentre elas temos o Bacalhau a Da. Eugenia que tem feito a alegria da família e dos amigos que tem o privilégio de experimentar.

Para uma boa bacalhoada é necessário um bom bacalhau:

o mais nobre Cod Gadus Morhua desfaz-se em lascas tenras e claras

Cod Gadus Macrocephalus parecido com o Gadus Morhua, é do Mar do  Norte muitas vezes confundido com o legítimo Pôrto mas, bem mais claro.

Saithe, escuro e de sabor mais forte é usado para bolinhos, desfiados e pratos mais simples.

Ling, bom para grelhar

Zarbo, tem muita rentabilidade

São classificados em 3 categorias :

Imperial, bem cortado ,bem escovado, bem curado

Universal, quando apresenta pequenos defeitos sem comprometer a qualidade

Popular

Por tradição no Brasil o nome Pôrto passou a identificar o bacalhau de melhor qualidade. Ele pode ser importado da Noruega, Portugal, Islândia, Espanha ou França

Feita a escolha do melhor, facilmente encontrado na Casa Sta. Luzia ( preço mais alto), na  Casa Flora, no mercado Central, nas boas feiras (Pacaembu, Barão de Capanema) começa-se o processo de dessalgar

Calcular em torno de 200grs por  pessoa

Por em água fria  na geladeira por 48 hs. Conselho do chef Alencar “não manusear o bacalhau depois de molhado.Fica com cheiro ruim”

Acompanhamentos: batata inglesa, ovos, couve enrolada, todos esses ingredientes previamente cozidos, cabeças de alho inteiras assadas, enroladas em papel alumínio, no forno, até ficarem macias.

Para o molho de 6 porções (1.200kg)

1kg de tomates picados, sem peles e sem sementes

¹kg de cebola em rodelas médias

500ml de azeite de oliva vigem

4 dentes de alho com casca

¹ colher de sopa de vinagre de vinho branco.

Um pouco antes de servir, colocar o bacalhau em água fria para cozinhar. Quando levantar fervura vigiar o ponto de cozimento. Escorrer e reservar.

Coloca-se o azeite para esquentar com os dentes de alho. Quando o alho estiver bem dourado retira-se e coloca-se as rodelas de cebolas até ficarem macias, em seguida, os tomates picados nesse azeite muito quente. Deixa-se cozinhar até amolecer a cebola e o tomate . No momento de servir coloca-se nesse molho, uma colher de sopa de vinagre. ESSE É O GRANDE TRUQUE  DA VOVÓ EUGENIA

Arruma-se o bacalhau numa linda travessa, decora-se com as batatas, os ovos, os rolinhos de couve e as cabeças de alho, rega-se com o molho.

Servir com um vinho verde ou um belo tinto português, para não fugirmos às origens.

Preciso finalizar com uma frase de nossa família: ” Dos ritos se fazem os mitos”

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