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LEMBRANÇAS DE UM TEMPO MUITO BOM.

Durante a correria de Natal estive ausente,envolvida por uma série de coisas, algumas prazeirosas outras nem tanto mas que, como não dá para passar batido, tive que ficar um pouco distante de vocês. Hoje em bate-papo com uma prima muito querida, relembramos  nossa infância e ( as Festas de fim de ano fazem essas coisas) tantas lembranças maravilhosas nos levaram a 250px-Pompadour6um passado de felicidade e chegamos a algumas conclusões, como por exemplo, a magia que uma casa de uma avó tem.A casa de minha avó era um casarão enorme,na praça da igreja na minha cidade natal.Essa casa de muitos quartos e salas ,abrigou uma família gigantesca de 13 filhos,seus companheiros e 36 netos.Havia na entrada ao subirmos a escadaria, uma sala,muito linda, que só era3401728 aberta para receber visitas, com objetos e móveis preciosos mas a minha lembrança mais marcante eram os camafeus com cenas de nobreza campestre, pintados a mão no teto, no lugar das atuais sancas de gesso que dão acabamento às junções do teto com a parede. Cada camafeu era uma cena colorida,diferente umas das outras,um trabalho artístico verdadeiramente primoroso. Seguíamos por um corredor, ladeado de quartos e chegávamos a uma enorme sala de jantar cuja maior atração era uma mesa  para 30 pessoas,permanentemente ocupada em todos os seus lugares,pois havia o hábito das refeições serem feitas em conjunto por todos que trabalhavam na cidade e pelas crianças que estudavam em colégios próximos.  Nos reuníamos no almoço e no lanche da tarde quando vinham pães quentinhos da padaria e a manteiga era passada neles e derretia aos nossos olhos.Havia um lindo relógio de carrilhão,que marcava as horas, ritmadas como música. Lá um gramofone tocava músicas suaves, uma especialmente em minha memória,reproduzia sons como de gramofhone-decorativo-quadrado-replica-nova_MLB-O-220604563_9919pássaros.Mágico!!!Ao caminharmos para o fundo da sala,chegávamos a um pequeno hall onde havia as geladeiras. Eram Westhinghouse  com um motor em cima como se fosse uma grande bola.Atravessando a cozinha ,de onde saiam maravilhas,de fogões à lenha encontrávamos a despensa.Era uma loucura! Parecia uma loja onde se encontrava de tudo naquelas prateleiras. Grandes vidros com manteiga imersa em água salgada para mante-la fresca, vidros de azeitona, também em água salgada, de todos os tipos que eram consumidas avidamente por essa prima querida, resteas de cebola e alho, sacos de estopa cheios de arroz, feijão,farinha,batata,trigo, peças inteiras de bacalhau ,carne seca,caixas de maçãs e peras e os cepos de madeira com formas de queijos, suíços, do reino que faziam as delícias de meu irmão e de um primo pois eles os comiam  sem deixar rastros, uma vez que esses queijos tinham a casca dura e os meninos levantavam a peça e comiam por baixo, deixando-os vazios, o que provocava reações iradas de nossa avó uma vez que essas iguarias eram importadas e (nessa época, por volta dos anos 40/50 0 Brasil não produzia muita coisa)  levavam algum tempo para chegar de navio ao porto que se avistava do terraço desse casarão.Saudades de um tempo muito bom,de pessoas amadas que já se foram. Minha prima e eu chegamos facilmente a conclusão que as festas de fim de ano dão muito trabalho mas são importantes para incutirmos em nossos descendentes lembranças e solidificar raízes, que nos fortalecem para as lutas  da vida adulta.

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